Estante Bagunçada

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Como Água

Milhares de tique-taques do relógio precisam se passar para que eu possa te rever. Apenas uma dezena deles precisam se passar para que voltemos a nos despedir.

Ah, como queria que o tempo parasse ou fosse um pouco mais devagar nesses momentos.

Como nos sonhos, onde estamos juntos sem nenhuma preocupação com ele, com sua ferocidade, experimentando assim um pedacinho da eternidade.

As tardes em uma praia, as confissões em uma cama, as conversas em um bosque, os olhares, singelos e profundos, trocados… Eles não têm pressa de acabar.

Mas como água, no rio do tempo, tudo isso escapa das minhas mãos. 

- Carlos Veríssimo

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