Estante Bagunçada

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Depósito

Fogo é a solução. O fogo consome. O fogo destrói.

Foi a lição ensinada pela feiticeira do Jardim dos Ciscos. 

Procurei-a em um momento de aflição, de confusão, de angústia. Sentia-me perdido entre as pilastras cinzas daquele deserto de concreto repleto de espectros sem cor.

Fui encontrá-la naquela antiga campina há muito tempo esquecida por mim. Com a certeza de que poderia voltar a qualquer momento para minha realidade e ancorar na tranquilidade, na felicidade e na paz do meu porto seguro. O forte que havia conquistado com minhas próprias mãos há um ano atrás.

Mas o que aconteceu foi justamente o inverso. Um mar turbulento e nada receptivo me aguardava. O desembarque parecia cada vez mais difícil. Não havia cordas, nem sinalizadores. Logo depois, descobriria que tudo se devia a minha aparência, não a minha essência. 

Fui tomado por um desertor leproso, que regressava de uma batalha contaminado pelo escamagris do orgulho.

O medicamento imposto? Tempo. 

Em meio à tempestade, minha voz clamava por vossos carinhos, vossos cuidados, vossa ajuda. Não por uma legião de soldados correndo atrás de mim. Nem pelo mundo ao meu favor. Mas apenas por você.

Pouco a pouco, as águas secaram. O mar verde cristalino deu lugar a um terreno seco, cobertos de rochas afiadas, no qual era preciso pisar com cuidado. 

Sob aqueles destroços, montanhas de medo, frieza e orgulho se acumulavam. Nada mais poderia ser plantado e colhido ali; pois para algo gerar frutos é preciso de cuidado. E o lugar havia se transformado em um depósito de restos. Um depósito de descuidos. Resto e descuido. 

Aquele que revelou o homem como o único condicional o ensinou a conservar as coisas, a ajudar. Conservar é proteger. Quem cuida, tem. Devemos prestar atenção ao que temos, porque ficar sem é muito ruim.

Longe de serem apenas um eco de minha consciência perturbada, as palavras da feiticeira martelavam minha cabeça. 

Com os pés cansados e feridos, com a alma açoitada pelas memórias de tempos passados e com as mãos em chamas, incendiei tudo o que se apresentava aos meus olhos e que feria meu coração.

Fogo é a solução. O fogo consome. O fogo destrói. Queimar para recomeçar.

Queimar. Expurgar. Refletir. Melhorar. Recomeçar.

E evitar cair no erro de se sentir alguém superior por ter atingido o topo. Histórias de sucesso não me comovem mais. Pois sei que são apenas o cimento que fixam as máscaras ao nosso ser. Elas nos fazem acreditar no quão benevolentes, divinos e poderosos somos. Acredite em mim, eu sei como isso funciona.

Queimar. Expurgar. Refletir. Melhorar. Recomeçar.

A vida é inconstante. Todos nós devemos fazer algo por nós mesmos.Todos nós.

Queimar. Expurgar. Refletir. Melhorar. Recomeçar.

Como toda e qualquer pessoa, eu tentei, acertei e errei. Agi de boa fé e de maneiras inconsequentes. Senti amor e senti ódio. Fui herói e fui vilão. Já estive no topo e já estive no abismo. Podes me conhecer como não podes. O “desconhecido” é lindo. Pois essa é a natureza humana. 

- Carlos Veríssimo

 

 

O Músico Aprendiz (Canção da Loucura)

Com vossa licença, senhores. A música que agora cantarei foi passada para mim há muito tempo por uma grande sábia. Uma feiticeira do Jardim dos Ciscos.

Talvez alguns de vocês conheçam esta mulher-cometa. Ou talvez, alguns de vocês ignore por completo sua existência.

Mas tenho a certeza de que conhecem esta canção.

Ela pode nunca ter chegado aos vossos ouvidos. Mas com certeza já tocou em vossos corações naquelas horas mais escuras e solitárias. Como esta, agora.

Eu te amo.
Mas você é indigno, incompetente e eu não te quero mais nunca mais.
Eu lamento. 
Eu te amava.
Eu te queria.
Mas você é indigno, incompetente, otário, pior do que um porco sujooo!
Advirta-se.
Faça bom prazo.
Deixa-me.
Que eu prefiro o desprezo.
Anda-se.
Nunca mais encostarás em mim.”

Bem, “amigos”, esta é uma canção que deriva de todas nossas decepções. Que acumuladas de tal maneira em nosso ser, transbordam cedo ou tarde. Assim ó, como água.

Um transbordo de tristeza, vergonha, raiva, nojo. Uma forma de expurgar todos aqueles astros, horrorosos e irrecuperáveis, aprisionados às nossas lembranças. 

Eu sei, vocês não entenderão tudo de uma só vez. É por isso que eu ainda estou aqui. Para lhes cantar as mais doces e amargas canções.

- Carlos Veríssimo

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Judas

Alguns permanecerão ao meu lado acima de tudo. Outros irão me trair por simples moedas de prata; ou até mesmo presentes supérfluos, mentiras reconfortadoras e promessas de falsas alegrias. Mas promessas são palavras e palavras são vento.

JUDAS.

JURAS.

PURAS.

IRAS.

MENTIRAS.

FERIDAS.

Depois de seu ápice, o espetáculo deve acabar. Os protagonistas devem seguir seus caminhos.

Não me interessa ficar para observar o seu fim. Pois sei que esperaria tempo demais para te ver, de livre e espontânea vontade, enrolando seus sentimentos sujos em volta de seu pescoço.

Acalme-se! Não quero, por nenhum momento, me colocar no papel do vigário iluminado e isento de pecados.

Sou apenas uma pessoa que, como qualquer outra, foi feliz ao lado de alguém. Até mesmo enquanto era envenenado e destruído por dentro. 

Sou apenas uma pessoa que se decepcionou e que se sentiu traída.

Talvez, em algum momento, corvos cheguem a mim trazendo notícias suas. Mas jogarei todas elas na fogueira. Palavras são vento. Assim como todas as suas memórias.

Do pó viestes, ao pó retornarás.

Dissipe-se, disperse-se de meu caminho; para longe de minha vida.

- Carlos Veríssimo

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O Último dos Dragões

Hoje voltei ao lugar onde costumava ser cultivado um incrível jardim. Majestoso e imponente, impressionava a todos que passavam convidando-os a uma pequena observação. Por suas expressões, era possível perceber a forma como admiravam e ao mesmo tempo questionavam sobre sua aparente beleza. 

Eles estavam certos. Tudo aquilo se tratava unicamente de uma aparência.

Durante incontáveis dias o jardim continuou o mesmo para quem olhava de fora. Porém, ao longo do tempo, apenas uma enorme vastidão desértica se apresentava diante de mim. Meus olhos e meu coração só conseguiam enxergar um emaranhado de raízes retorcidas cobertas por ervas daninhas. As mesmas que um dia se apresentaram como as mais belas e verdadeiras plantas. 

Dia após dia elas me presenteavam com indícios do nascimento de maravilhosas flores da espécie Confiança.

Cegamente, colhia esse lindo presente que me era ofertado sem perceber que seus tentáculos de verme se enroscavam em minhas pernas, cavavam buracos na terra e lentamente me traziam para baixo.

Mas isso chegou ao fim. Minha desconfiança e meu medo passaram a provocar fagulhas ao menor dos toques, dando início a um grandioso incêndio dentro de mim.

De dentro daquele fétido buraco um dragão estava acordando, descarregando sua fúria e destruindo completamente a crosta de mentiras sobre as quais estava enterrado. O medo se transformou em coragem.

Suas chamas dizimaram o jardim, que por si só já estava condenado. Aquele punhado de terra se tornou um terreno estéril. E então o dragão levantou voo. Ele queria ir para longe dali e para longe de todos aqueles que ainda se encontravam, por escolha ou por ignorância, cegos e presos em todos aqueles galhos, mentiras e verdades retorcidos.

O dragão solitário continua sua jornada na estrada em que segue por centenas de anos. Mais uma vez você voltou a atravessar seu caminho para tentar afogá-lo em seu veneno ardente de inveja e discórdia. 

Mas o fogo não pode matar um dragão.

- Carlos Veríssimo

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Estrela Cadente

O céu está tão lindo esta noite.

Parece que todas as estrelas do universo vieram me cumprimentar.

E ao mesmo tempo me consolar.

Como um mar acima de minha cabeça, banham de luz meu corpo. Mas sabem que minha alma se inunda de agonias e ânsias.

Meus pensamentos e sentimentos estão direcionados a 8.167 quilômetros de distância daqui.

Direcionados para onde você se encontra.

Cada ponto do meu ser aguarda com anseio pelo momento em que poderei sentir você perto de mim mais uma vez.

Desejo poder sentir seu calor, que aquece-me por completo; tanto corpo quanto alma.

Desejo poder ser iluminado pelo brilho do seu olhar, que me afugenta todos os medos.

Desejo poder me completar novamente.

Olho pela janela e percebo que uma daquelas milhares de estrelas piscou para mim e desapareceu logo em seguida sem deixar vestígios.

Fecho os olhos e espero…

Espero que ela realize estes meus desejos. Ou que, pelo menos, leve até você todo o meu amor. Para que nossas almas se acalmem pelo tempo que resta até nos encontrarmos novamente.

Ou por apenas mais esta noite.

- Carlos Veríssimo

Yoü & I

Tiro o tênis meio enlameado dos pés doloridos e me deito. Uma onda súbita de alívio inunda meu corpo.

Minutos ou horas se passaram enquanto eu olhava para o teto mergulhado num eterno dé jà vu do dia que estava acabando.

Fecho os olhos e filetes de água salgada escorrem pelo meu rosto, encharcando o travesseiro. Mais uma vez naquela noite, lágrimas caíram.

Essa foi a forma encontrada de transbordar toda aquela mistura de sentimentos que estava sentindo. Naquele momento palavras não pareciam traduzir a linguagem do meu coração, que batia aceleradamente como as batidas das músicas que escutávamos.

Ainda é possível sentir o gosto do seu beijo na minha boca, o seu toque na minha mão, o calor do seu abraço…

Seu abraço que me confortava e me aquecia em meio àquela fina chuva que caía e lavava nossos corpos, nossas almas, enquanto uma canção de amor tocava.

Aquelas canções, aquelas luzes, aquele lugar, aquela cantora despertaram em mim sensações, pensamentos e sentimentos que me diziam uma verdade.

Não pude, então, reprimir meu sorriso entre lágrimas e a chama que crescia em meu coração com a lembrança do seu olhar e de cada detalhe seu.

Minha mente voltava para a frente daquele enorme castelo que se erguia.

Onde éramos somente você e eu.

Carlos Veríssimo

Ponteiros

Lentamente abro os olhos. 9:15 a.m.

Fecho-os.

Lentamente abro os olhos. 11:33 a.m.

Desesperadamente levanto. Tenho apenas dez minutos para me arrumar, engolir a comida e subir no ônibus.

Corro de um lado para outro. Entro no banho. Escolho roupas aleatórias. Deixo a comida pra mais tarde. Escovo os dentes. Passo perfume. E corro. Corro. Corro

Pensamentos agitados permeiam minha cabeça durante a corrida ofegante que eu travo com aquela criança travessa chamada Tempo.

Teimoso e levado, está sempre procurando formas de me pregar peças.

Passa despercebido na maioria das vezes. Mas consigo notá-lo indo embora de forma rápida e sorrateira quando estou com você. 

Se fosse possível encará-lo pessoalmente, arrancaria seus brinquedos em formato de ponteiro de suas mãos.

Só para adiar a hora da despedida. Só para diminuir a distância. Para que a única coisa que fique entre nós sejam apenas roupas.

- Carlos Veríssimo

Rio, 44º.

Sinto como se fosse derreter nesse calor.

Nesse clima, que chega a ser quase inóspito, anseio pela chegada do frio.

Espero a sua chegada não para andar na rua sem ter uma gota de suor à escorrer pela testa ou para abandonar aquela sensação sufocante que preenche meus pulmões junto com o típico ar quente.

Mas, sim, pelo fato de poder me perder em seu abraço; me aquecer em sei peito; esquentar minha mão congelada na sua. Ao ponto dela chegar a suar. Calor ou nervosismo? Um misto dos dois.

Ou até mesmo pelo simples fato de poder usar seu casaco de algodão e me envenenar com seu cheiro. 

Cheiro, que ao menor dos toques, passa para minha pele. Mas que não fica tempo o suficiente para matar minha vontade. Minha vontade de você. 

Pelo contrário, só a faz aumentar.

Tudo bem! Eu admito que o frio é só uma desculpa para me unir a você a qualquer momento. Brincar em seu abraço. Acelerar seu coração. Mergulhar em seus braços e me afogar de novo.

De novo e de novo…

- Carlos Veríssimo

Manifesto de John F. Kennedy, a estátua.

Aqui me encontro. Por toda eternidade condenado a ficar estático neste mesmo lugar.

Dia após dia. Ano após ano. Décadas após décadas. Sou uma testemunha, despercebida, de inúmeras histórias. 

Romances. Brigas. Reencontros. Beijos. Desavenças. Idas. Vindas. Vidas.

Me percebia empolgado no princípio, por acompanhar essas diversas histórias. Apostando, em um jogo secreto comigo mesmo e com o Destino, como todas elas se desenvolveriam e se realizariam.

O tempo passou. Perdida era minha fé no Destino que sempre me enganava. 

Estava farto do modo como a paisagem à minha frente estava se tornando uma passarela. Onde pessoas frias desfilavam com seus egos terríveis, fazendo minha cabeça latejar novamente.

Porém, um dia, vi ressurgir a esperança em mim.

Dois jovens. Havia algo neles que me intrigava. Desta vez, por mais que eu duvidasse, percebia ali um trabalho feito pela mãos do Destino.

Por um ano os acompanhei. Via-os se esbarrando. Trocando olhares. Falando um com o outro sem trocarem uma palavra, através de suas próprias expressões. Tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo.

Mas paciente e cauteloso é o Destino quando age. Sem pressa, tece sua teia para no momento certo lança-la sobre os dois.

Esperançoso e contente fiquei ao ver os dois trocarem suas primeiras palavras à minha frente. Sintonia e harmonia crescia ali, diante dos meus olhos.

Mesmo depois de décadas de observação, não posso afirmar o que o futuro reserva para esta história, que tem tudo para ser uma das mais belas. 

Continuarei aqui, observando, acreditando, torcendo.

Ass.: John F. Kennedy, a estátua do meio do pátio. 

- Carlos Veríssimo




Tão Simples

Cansado da aula, abro minha mochila e pego o pedaço de papel amassado que há alguns dias estava jogado em seu fundo.

Nele estava escrito simplesmente “Por que justamente agora sinto isso em relação a você?”.

Palavras simples, numa folha simples. Mas que conseguiam exprimir e, ao mesmo tempo, extravasar meus sentimentos, meus pensamentos.

Pensamentos esses que divagavam ingenuamente para um lugar tão distante daquela sala, que se mantinha cinzenta sem a cor do seu All Star. 

Não pude evitar sorrir ao pensar na possibilidade de estar dentro de alguma obra do destino. 

Essa doce e travessa criança que, inocentemente, me puxa pela mão e me leva ao seu encontro entre corredores, salas de aula, olhares, durante todo esse tempo. Sem ao menos uma explicação. 

Eu já deveria saber. Que depois de tanto correr acabaria chegando em algum lugar.  Que depois de tanto tempo esse sentimento que nasceu dentro de mim sairia de sua forma latente e se manifestaria.

Então para que complicar algo tão simples? É um sentimento, mas que traduz tudo.

- Carlos Veríssimo

All Star Vermelho - Parte II

Determinado. Foi o modo como saí daquele claustrofóbico elevador. Como sempre, estava abarrotado de gente. Não me permitindo nem uma última checada no espelho para conferir se o cabelo estava OK, o dente limpo, a roupa ajeitada.

Estava prestes a cometer uma loucura. E estava amando isso.

Assim que fui empurrado para fora daquele espaço, pude te ver. A mesma visão de quase todos os outros dias; mas que, de alguma forma, era sempre atraente.

O mesmo All Star vermelho vibrante estava ali. A tatuagem coberta por uma calça preta apertada. Que por sinal, valorizava bem o seu corpo bem lapidado.

Você olhava de forma ansiosa para o celular, esperando ele chegar. Era meu momento perfeito.

Me aproximei de você.

Rapidamente, subitamente e inesperadamente sua boca foi surpreendida pelo meu beijo…

Mas então eu acordei. Um sonho rápido. Um sonho bom. Um sonho ruim. Pois nem sequer me deixou saber se meu beijo seria correspondido.

Recolho minhas coisas e deixo a sala de aula. Pego o mesmo elevador claustrofóbico do sonho. Saio e te vejo. Passo por você, aceno e continuo meu caminho de volta para casa.

Talvez o sonho volte e eu tenha a minha resposta. Mas não queria apenas sonhar. Queria, também, sentir.

- Carlos Veríssimo

All Star Vermelho

Os olhares se cruzam. Numa rotina frenética que se repete há um ano. Poucas palavras são ditas. Somente após muitos meses de tentativa.

Medo? Orgulho? Um pouco dos dois? 

Dizem que o tempo é o melhor remédio. Mas nunca disseram nada sobre o gosto desse medicamento. Às vezes pode ser doce, outras vezes, como esta, amargo.

Não é difícil reconhecer o modo como seu All Star vermelho colore todos os tons cinzentos daqueles corredores.

Mas, por outro lado, é difícil reconhecer que é com outra pessoa que você está saindo, rindo, deitando. Que não é na minha pele que a sua perna tatuada está encostando docemente, vorazmente.

Vamos lá! Ligue para seu namorado e diga que você (re)conheceu uma outra pessoa! E que agora seremos somente você e eu! No nosso próprio sonho adolescente.

- Carlos Veríssimo

 

Queimado

Leve-me para sua casa!

Não moro muito longe, mas qualquer coisa me serve para usar como desculpa para estar junto de você.

Leve-me para seu quarto!

E então puxe-me para perto de seus braços e beije-me! Beije-me! Beije-me como se essa fosse a única forma de você respirar.

Deixe-me sentir suas mãos quentes na minha nuca; pressionando-me contra seus lábios, que só anseiam por mais.

Diga-me, aos sussurros, que vamos nos atrasar para a festa. Eu responderei em êxtase, em um pensar sem pensar, que “sim, sim, tudo bem, sim…”

Deite-me na sua cama!

As mãos começam a se mover, de uma maneira independente mas consciente do que fazem, tratando de nos despir até entrarmos no mais puro contato.

Contato que provoca faíscas, que começa um incêndio dentro de nós.

Queima-me! De desejo, de vontade, de tesão, de paixão!

Queima-me! Pois eu permito que esse fogo me consuma por inteiro!

- Carlos Veríssimo

Corpos em Movimento

Olhos magneticamente e magicamente atraídos um pelo outro.

Não importa se distantes ou próximos. Ambos se envolvem em uma frenética, gritante, tentadora e apaixonante dança que os leva a se encontrarem, a se colidirem.

Atraídos e tentados pelas faíscas resultantes desse choque de partículas, não há o que se possa fazer para evitar que todo o copo queira também dançar. 

As mãos passam a ansiar pelos toques. As bocas, por se juntarem uma a outra.  Convidando aos sussurros os ouvidos, despertando todas as forças interiores. Fazendo com que ambos os corpos queiram se unir naquele mesmo lugar.

Duas forças em choque, com uma voraz energia capaz de criar um próprio universo.

- Carlos Veríssimo

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Olhos

"Alguma vez falhei com você? Alguma vez não estive presente? Até mesmo quando você estava me expulsando a pontapés por dentro? Alguma vez você fez o mesmo por mim? Alguma vez sentiu o mesmo por mim?" 

Meus olhos, por várias vezes, quiseram te perguntar isso. E Ainda querem. Mas o que mais desejam saber é sobre esse seu desprezo. Eles gritam “Diga-me o porquê disso!”

Queria por um momento olhar em seus olhos. Apenas para saber se eles se tornam tão frios quanto suas palavras na minha presença. 

Porém, agora, não se trata mais dos seus olhos, mas sim dos meus. Olhos cansados de chorar por não ter pensado, apostado e, mais uma vez, ter errado. 

As dúvidas ainda persistem, mas por outro lado, de uma certeza tenho consciência: Verdes como são, sei que, mais cedo ou mais tarde, voltarão a acreditar no sonho que abandonaram por você.

- Carlos Veríssimo.